
Carla Pedrosa / Biblioteca Universitária UFMG
No bairro Santa Inês é possível conhecer a terceira maior área verde de Belo Horizonte: o Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG (MHNJB). “Um mundo de interatividade” é pouco para descrever esse ambiente cujo objetivo é estreitar os laços com a comunidade e valorizar o patrimônio natural brasileiro, por meio de atividades de ensino, pesquisa e extensão, oferecidas em diversos ambientes que instigam o conhecimento, como a Biblioteca.
Localizada no mesmo prédio da Administração Central do Museu, a Biblioteca do MHNJB é especializada nas áreas de Arqueologia, Botânica, Geologia, Museologia e Paleontologia. Ela abriga preciosidades como o acervo pessoal de dois importantes docentes da UFMG: o Professor Getúlio Vargas Barbosa, do Instituto de Geociências (IGC) e o Professor Giorgio Schreiber, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB). Os acervos são constituídos por títulos sobre Geologia, Geografia, História, solos, mapas, além de livros e periódicos na área de Botânica.
Na Biblioteca também é possível encontrar a coleção de fotos do Museu, desde sua criação, e os documentos do Presépio do Pipiripau. “O objetivo é ser referência em História Natural. Nesse sentido, além do material já disponível, estão sendo adquiridas novas revistas especializadas, com o apoio da Biblioteca Universitária”, afirma a bibliotecária Alice Clara Rodrigues Mendes.
Recentemente, a Biblioteca do Museu passou por uma reforma e foi inaugurada junto com o Espaço Interativo de Ciências da Vida em 2013. Agora, além das tradicionais prateleiras de livros, a Biblioteca conta também com uma Sala Virtual dividida em quatro nichos: “O homem e seu espaço”; “O homem e sua história”; “O homem e a natureza”; “O homem e o universo”. Em cada ambiente, os visitantes podem conhecer um pouco mais sobre a história da humanidade em vídeos interativos. Com essas novidades, a Biblioteca passou a integrar o roteiro de visitação do Centro de Extensão do Museu (Cenex MHNJB/UFMG). Agora todas as escolas, ao visitarem o Museu, passam também pela Biblioteca. “Queremos reforçar o trabalho de extensão, que aqui está relacionado, sobretudo,à Educação Ambiental por meio de palestras, exposições, exibições de filmes, entre outros”, aponta a coordenadora da Biblioteca, Laibe Batista Lacerda.

Antes da reforma. Foto: Pedro Peixoto e Miguel Aun

Depois da reforma. Foto: Carla Pedrosa / Biblioteca Universitária UFMG
Este ano, em comemoração à semana do Bibliotecário, foi organizado o evento “O Papel da Biblioteca e dos Bibliotecários do MHNJB/UFMG como Agentes Ativos da Educação Ambiental”, durante o qual alunos de várias escolas construíram a própria árvore dos sonhos, expondo os desejos de um mundo melhor. “Ao oferecer essas atividades, queremos reforçar o papel do bibliotecário, para além do conhecimento técnico, como agente ativo da informação”, esclarece Alice.
Detalhes da história

Arquivo Museu
O MHNJB abrigou, durante cinco décadas, o Instituto de Agronomia, no antigo Horto Florestal. Nos anos 60, parte de sua área foi transferida à UFMG, para criação do primeiro Museu de História Natural de Belo Horizonte. Foi em 2010 que o Espaço também ganhou o título de Jardim Botânico.
Presépio do Pipiripau

Eber Faioli
Criado pelo artesão Raimundo Machado ao longo do século XX, o Presépio do Pipiripau sincroniza 586 figuras móveis, distribuídas por 45 cenas que contam a história da vida e da morte de Jesus Cristo. O MHNJB/UFMG guarda o Presépio desde 1976.
Biblioteca do IGC

Carla Pedrosa / Biblioteca Universitária UFMG
O Instituto de Geociências (IGC) surgiu em 1968, a partir do desmembramento da Faculdade de Filosofia, que antes abrigava vários cursos na Rua Carangola, Centro de Belo Horizonte. Com a criação do IGC, foi também criada a Biblioteca, especializada, inicialmente, em Geografia e Cartografia.
Em 1973, o Instituto foi transferido para o Campus Pampulha e em 1983 foi construído o atual prédio do IGC. A Biblioteca, então, ampliou o acervo com materiais relacionados a Geociências como a Cartografia, Geografia, Geologia e Turismo. Marcos Roberto Moreira Ribeiro, ex-aluno, ex-professor e diretor do IGC na gestão 94-98, acompanhou a evolução da Biblioteca. “Na minha época, de 68 a 71, o acervo não tinha a diversidade de hoje. Livros de referência eram dois por disciplina, no máximo. Hoje, a Biblioteca Setorial é fundamental na consecução da Universidade. Quem é que vai ter em casa um acervo desse porte?”, pontua Marcos. “Dentro de cada área nos surpreendemos com a posição de alguns professores e pesquisadores que falam: Nossa! Vocês possuem esse material? Isso aqui é uma preciosidade!”, afirma Carmem Maria Cortez Durães, coordenadora da Biblioteca do IGC.
Mesmo com as facilidades da internet, a Biblioteca ainda é muito procurada como referência em materiais de Cartografia, sobretudo por empresas do ramo da mineração. Isso porque, além das extensas prateleiras de livros, é possível encontrar uma rica coleção de materiais cartográficos tais como mapas, fotos aéreas e globos terrestres.
Pessoas que marcam a história

Da esquerda para a direita: Maria Vitória, Martinha e Marcos Roberto. Foto: Carla Pedrosa / Biblioteca Universitária UFMG
A servidora Marta Maria Mota Couta se dedica a cuidar da Mapoteca há 22 anos. “Conheço os mapas mais utilizados em cada área e atividade. Eu amo esse trabalho e cuido de tudo com muito carinho”, afirma Martinha, como é chamada pelos colegas. Em 2010, foi ela que sugeriu nomear a Biblioteca em homenagem à servidora Vitória Pedersoli, que trabalhou durante 50 anos na Seção de Ensino do IGC e que, na época, estava se aposentando. A partir da sugestão feita pela Martinha, a escolha foi unânime. “A homenagem da Biblioteca do IGC à Maria Vitória é um reconhecimento do valor do técnico administrativo na construção do conhecimento na Universidade. A Vitória sempre foi muito presente e respeitada nas decisões do IGC”, afirma Carmem.

Carla Pedrosa / Biblioteca Universitária UFMG
Detalhes da história

Carla Pedrosa / Biblioteca Universitária UFMG
A Biblioteca do IGC possui uma obra rara, datada de 1830, e de autoria do Barão de Eschwege, um dos precursores da Geologia no Brasil. O livro foi doado pela Associação Propagadora Esdeva e está sendo analisado por uma comissão de bibliotecários, para ver qual o destino adequado ao material.
Instituto Casa da Glória

Arquivo
O Instituto de Geociências da UFMG possui mais uma biblioteca, em Diamantina. O Instituto Casa da Glória, onde está localizado o Centro de Geologia Eschwege, foi incorporado em 1979 como Órgão Complementar do IGC. Lá são ministrados cursos na área de Geologia, bem como é oferecida uma infraestrutura e acervo de referência em pesquisa sobre a Serra do Espinhaço.

