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Por uma prosa de múltiplas vozes

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Questionamentos sobre o processo criativo de escrita

“Fluxo-floema”, primeira incursão de Hilda Hilst na prosa, compõe-se de cinco narrativas independentes, mas que se cruzam no ponto da criação literária e da luta do autor com a linguagem que não consegue expressar integralmente a experiência do humano: Fluxo, Osmo, Lázaro, O unicórnio e Floema. Em algumas, Hilda Hilst tenta refazer sua trajetória de escritora e ao mesmo tempo questionar seu processo criativo e o mercado editorial, à medida que inventa personagens-escritores que, também eles, buscam recriar o mesmo processo.

Esta prosa contraria a literatura tradicional ao impor seus fluxos verborrágicos, em detrimento de uma narrativa linear com personagens verossímeis. As vozes múltiplas que ecoam de seus textos não se preocupam em contar um enredo e desenvolvêlo e irrompem sem a preocupação de demonstrar, graficamente para o leitor, sua presença no texto, pois uma voz se divide em várias e ao mesmo tempo constituem uma unidade.

Sua linguagem híbrida, misto de narrativa, poesia e drama, refere-se à percepção da autora que os gêneros não têm fronteiras; podem e devem se misturar, pois tudo é linguagem. E a sua, afirmava, é basicamente poética. Encerrada pelos críticos numa visão de “escritora de difícil compreensão”, “Fluxo-floema” (para além de sua famosa trilogia erótica dos anos 1990) pode ser considerado um livro importante para se iniciar no universo narrativo hilstiano.

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