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Poeta social

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Arquivo Escritores Mineiros

É em um ambiente de efervescência cultural que Adão Ventura se encontra no início da década de 70, ao concluir o curso de Direito na UFMG e começar a trabalhar no Suplemento Literário de Minas Gerais, junto com outros intelectuais da época. O primeiro livro do escritor, “Abrirse um abutre ou mesmo depois de deduzir dele o azul”, é lançado nessa época e contém grande influência da vanguarda surrealista, sendo voltado para a experimentação estética.

Em 1972, Adão se muda para os EUA, convidado a lecionar na Universidade do Novo México. Lá, entra em contato com a cultura negra norte-americana, marcada pela luta social, e tem noção da diferença que marcava a vida do americano e do brasileiro negro. “Havia uma intelectualidade negra nos EUA de grandes proporções, que não havia no Brasil: o movimento pelos direitos civis, o New Negro Moviment, o Jazz de Louis Armstrong, as grandes divas negras… Isso assustou o Adão positivamente”, conta Eduardo de Assis Duarte, professor aposentado da Faculdade de Letras da UFMG.

A literatura negra foi o único movimento literário internacional que nasceu nas Américas, na década de 1920. No Brasil contou com o teatro experimental do negro, de Abdias Nascimento, e outra grande contribuição viria em 1980, com a volta de Adão Ventura ao Brasil e o lançamento de “A cor da pele”.

Com a poesia social, que aparece nesse livro e o acompanharia nos próximos, o poeta traz sua marca para a literatura brasileira, instigando o leitor a mergulhar nos porões mais escuros da realidade deste mundo.

Adão sofreu muitas críticas e sua poesia foi chamada de “panfletária e datada”, mas professor Eduardo discorda: “Mesmo que um dia vivamos sem qualquer opressão, ainda assim essa poesia vai ter seu valor, porque é a história de um negro que não se calou”.

No Acervo dos Escritores Mineiros, localizado no 3º andar da Biblioteca Central, encontram-se correspondências e poesias inéditas de Adão Ventura, além de um interessante conjunto de notícias de jornal sobre questões raciais que ele guardava. Há também uma obra não publicada sobre a história do Jazz, pelo qual Adão era apaixonado.

Visitas ao acervo podem ser agendadas pelo telefone (31) 3409-6079.

 

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