Medicina, biologia, veterinária, nutrição, enfermagem são algumas das áreas que se dedicam ao estudo e ao cuidado da vida em suas mais variadas formas. Campos de tamanha responsabilidade precisam contar com uma forte base de conhecimento e informação. Parte importante desse papel cabe às bibliotecas. Nesta edição, apresentamos um pouco das histórias das Bibliotecas do Campus Saúde e do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG.
A Biblioteca do Campus Saúde, que foi pioneira entre as bibliotecas universitárias de toda América Latina no processo de informatização dos serviços, teve um começo discreto. Criada em 1927, pelo professor José Baeta Vianna, no início de sua formação, ocupava duas salas e possuía um acervo limitado. Foi apenas em 1935 que ganhou espaço próprio, passando por longo processo de ampliação, que em meados da década de 60 resultou no prédio tal qual o encontramos hoje, com mais de 3 mil metros quadrados, distribuídos em quatro andares.

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A bibliotecária Maria da Consolação Lopes atuou 12 anos na coordenação da Biblioteca do Campus Saúde. Ela destaca os diferenciais da Unidade, motivos de orgulho para aqueles que a constroem. “A organização, a constante atualização e o pioneirismo não são meras coincidências – a área da saúde exige isso”, reforça Maria. Essa exigência cresce quando se trata de biblioteca centro de referência do LILACS – de Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde, e os serviços da Biblioteca J. Baeta Vianna respondem bem a esse grau de exigência. Outro aspecto a ser destacado é o serviço de pesquisa personalizado, oferecido ao usuário. O pesquisador tem a possibilidade de agendar sua consulta, podendo direcioná-la e obter mais eficiência. Se no passado essa pesquisa envolvia debruçar-se sobre o enorme Index médico, hoje ela se dá na base de dados digitalizados.A transição para o virtual é definitivamente uma marca da trajetória das bibliotecas, e nesse caso não é diferente. Outro exemplo disso está no acesso aos periódicos, que não são mais expostos em uma mesa na biblioteca, mas reunidos no Portal Capes.
A informatização, no entanto, não significa o esvaziamento da Biblioteca ou a diminuição de sua importância. Pelo contrário, a atual coordenadora Fabiene Furtado e a vice, Monaliza Lima, observam que os alunos têm buscado ainda mais o local para estudar, conectar seus notebooks e para o treinamento oferecido no uso da base de dados. “O espaço não se perde com os avanços tecnológicos, mas passa a dialogar com ele”, afirma Fabiene. Os livros, por outro lado, também mantêm lugar de destaque – a bibliografia impressa é indispensável e é muito utilizada, ainda que em alternância com as pesquisas on-line.

Ana Guerra / Biblioteca Universitária UFMG
Vale também lembrar que nem só de material científico deve ser feita uma biblioteca. Tendo isso em mente, existe no Campus Saúde um projeto de criar um espaço para a literatura, sonho antigo dos alunos. O espaço homenagearia o mais literário dos médicos: Guimarães Rosa. Por enquanto, é apenas um projeto, mas isso já demonstra uma preocupação com a formação dos profissionais da saúde para além do conhecimento tradicional da área, perpassando também o lado humano dos profissionais que ali se formam.
O prédio da Faculdade de Medicina, além de ter sido o local dos primeiros passos da Biblioteca do Campus Saúde, também abrigou parte dos primeiros acervos que hoje compõem a Biblioteca do Instituto de Ciências Biológicas.
Biblioteca do ICB: mudanças que marcam a história
Se hoje a Biblioteca do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) já não existe em um espaço físico exclusivo, em um passado não tão distante, ela já ocupou a cidade. Antes de chegar à Biblioteca Central da UFMG, onde se encontra hoje, o acervo do ICB escreveu sua história em “fragmentos” que acabaram por garantir uma consistência invejável. Esse percurso começa no ano de 1969, quando, em uma casa alugada na praça Hugo Werneck, a Biblioteca de Graduação deu os primeiros passos. Enquanto isso, a primeira Biblioteca de Pós-Graduação, a de Bioquímica, foi instalada no prédio da Faculdade de Medicina, e o acervo de Biologia Geral, no antigo prédio da Fafich, no bairro Santo Antônio.
A partir de 1976, as unidades, que posteriormente formariam a Biblioteca do ICB, passaram por um intenso processo de mudanças. As bibliotecas de Graduação, Parasitologia e Microbiologia, por exemplo, foram realocadas para a Faculdade de Medicina, ao mesmo tempo em que a de Bioquímica saía de lá para o prédio do ICB no Campus Pampulha. Aos poucos os demais acervos seguiram o mesmo caminho. Na década de 1980, a Biblioteca de Graduação transferiu-se para a Biblioteca Central, unindo-se aos acervos de graduação dos Institutos de Ciências Exatas e de Geociências.
A bibliotecária Maria Cecília de Sousa Lima conhece bem as histórias de ambas as bibliotecas (do Campus saúde e do ICB). Ela esteve presente na inauguração do prédio da Biblioteca de Saúde após sua ampliação em 1966, mas foi com a Biblioteca de Ciências Biológicas que Maria Cecília construiu um forte vínculo.

Arquivo
Formada em Biblioteconomia e em Comunicação Social pela UFMG, Maria Cecília atuou, durante quase toda trajetória profissional, nesta Unidade. Ela chegou à Biblioteca do ICB no final da década de 70,começando na Biblioteca de Microbiologia, localizada no Campus Pampulha, que era responsável por supervisionar o acervo de todas as outras bibliotecas de Ciências Biológicas. Maria Cecília se aposentou há um ano, mas seu vínculo com a Biblioteca do ICB se mantém até hoje. Ela conta, com orgulho, a importância da biblioteca para um centro de pesquisa, e diz sentir saudade do contato com o usuário e do sentimento de proximidade que a função de bibliotecária proporciona. Recorda, ainda, as transformações dessa relação com os usuários ao longo dos anos, à medida que o sistema se modernizou, e salienta a importância de repensar a prestação de serviços e o exercício da profissão em meio a essas mudanças.

Carla Pedrosa / Biblioteca Universitária UFMG
Em homenagem ao criador

A Biblioteca do Campus Saúde foi nomeada Biblioteca J. Baeta Vianna em homenagem ao professor que a criou. José Baeta Vianna (1894-1967) formou-se na Faculdade de Medicina em 1919. É Considerado o primeiro bioquímico brasileiro, já que foi o primeiro catedrático de Química Fisiológica no país. Entre outras realizações estimáveis, fundou a Assistência aos Universitários (atual Fundação Universitária Mendes Pimentel); criou o Laboratório de Pesquisas Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade (hoje Patologia Clínica) e a Associação dos ex-alunos da instituição.
(Ana Guerra)

