A conservação de preciosidades do impresso

Lívia Araújo / Biblioteca Universitária UFMG
A qualidade da encadernação, as particularidades de uma coleção, os detalhes, as cores, cada entalhe. O ouro nas lombadas e grandes nomes de impressores franceses… Rejeitando a produção em série que se popularizava no século XIX, os bibliófilos prezavam por regras e padrões para uma coleção ideal, criando demandas por obras raras que são valorizadas até hoje.
Firmin Didot foi um dos impressores mais procurados por colecionadores dessa época. Três de suas impressões chegaram este ano à Divisão de Coleções Especiais e Obras Raras da UFMG (Dicolesp), através de doação do professor Antônio Orlando Lopes, da Faculdade de Letras.
Antes de serem disponibilizados para consulta, esses livros passam por um tratamento de conservação, coordenado por Diná Araújo, da Dicolesp. O processo é longo – e silencioso.
“É um trabalho silencioso, mas traz grande repercussão. Pode ser que ninguém saiba que tiramos determinado fungo, mas muitas pessoas verão esse livro, mesmo daqui a cem anos”, diz.
Pequenos deslizes com as obras raras, tais como arrastá-las sobre a mesa, comer perto delas, deixá-las em local com incidência de sol ou qualquer contato com a umidade, têm como consequência reparos dispendiosos. Nesses casos, limpeza e hidratação são algumas etapas pelas quais os livros terão que passar para manter sua memória preservada.
Eternizando a história de impressores, autores e ilustradores de diversas épocas, os profissionais de conservação são como bibliófilos: ao prezar pela singularização do exemplar, possibilitam manter a leitura única e sensível de cada texto.
(Lívia Araújo)

