
Ana Guerra / Biblioteca Universitária UFMG
Disponível: na Biblioteca da Faculdade de Letras
Referência: VILA-MATAS, Enrique. Paris não tem fim. São Paulo: CosacNaify, 2007, 242p.
“Eu fui em Paris em meados dos anos setenta e lá fui muito pobre e muito infeliz”. Assim constata o narrador-escritor (sem nome) de “Paris não tem fim”¸ do espanhol Enrique Vila-Matas. Este narrador revisita a sua juventude, quando foge da sufocante Espanha, sob a sombra do ditador Franco, para desbravar a livre Paris e ali escrever seu primeiro romance, “A assassina ilustrada”.
Que grande ironia do destino essa infelicidade tão insistente! Não é em “Paris é uma festa”, do Nobel Ernest Hemingway, que encontramos a célebre imagem do jovem escritor que fora muito pobre e feliz na capital francesa?
Essa ironia é, na verdade, elaborada pelo narrador, que se vale o tempo todo deste recurso: relatar o contrário daquilo que se quer dizer. Como assim? Por mais que se diga um forasteiro no fervilhante meio intelectual parisiense, é exatamente ali que nosso personagem dará seu pontapé inicial no mundo das letras, sempre junto de sua “apostila de instruções úteis para escrever romances”, presenteada pela consagrada escritora Marguerite Duras.
A leitura de “Paris não tem fim” é deliciosa, ritmada por capítulos bem curtos, de até três páginas. Para os curiosos, as diversas alusões e citações de diversos outros artistas e escritores – a literatura dos grandes Hemingway e Jorge Luis Borges, a filosofia de Walter Benjamin… – constituem uma compacta biblioteca, um estímulo para novas experiências de leitura!
Pedro Brito (Estudante da Faculdade de Letras da UFMG)

