Durante séculos, a escrita feminina foi mantida reclusa no ambiente doméstico. As escritoras que chegavam a ser publicadas, muitas vezes se valiam de pseudônimos masculinos, como fez Jane Austen. Aos poucos, o espaço da literatura foi conquistado por mulheres como Virginia Woolf e Gertrude Stein, que levaram a pauta feminista para as estantes das livrarias. No Brasil, Clarice Lispector, Rachel de Queiroz, Cecília Meireles e Adélia Prado são algumas das representantes femininas na literatura nacional.
No entanto, o lugar ocupado pelas mulheres na literatura em muitos casos seguiu os moldes eurocêntricos. Na conhecida palestra intitulada “Os perigos de uma história única”, a escritora nigeriana Chimamanda Adichie aponta para os riscos de uma cultura literária que se fecha em um modelo dominante. Com isto em mente, o “Conexão Biblioteca” preparou algumas dicas de autoras que expandiram os horizontes da escrita feminina; escritoras que representam uma importante conquista nas lutas políticas.
Conceição Evaristo

Nicolas Quirion
Nasceu em uma favela em Belo Horizonte e por muito tempo conciliou os estudos com o ofício de empregada doméstica. Mais tarde se formou em Letras pela UFRJ e hoje é doutora em Literatura Comparada e professora visitante na UFMG. Em uma de suas obras mais importantes, “Ponciá Vicêncio”, que chegou a ser publicada nos Estados Unidos, a escritora explora o lugar simbólico da mulher negra e relações de raça, gênero e classe.
Alzira Rufino

Raphaela Fernandes
Presidente da Casa de Cultura da Mulher Negra, Alzira Rufino é uma mulher de destaque na cultura e na política brasileiras. Tendo como foco temas como a violência doméstica e racial, ela chegou a atuar, inclusive, na criação de leis que abrangem os direitos das mulheres. Em sua produção literária, a poeta trabalha a identidade e o poder de resistência da mulher negra, como no poema “Eu, mulher negra, resisto”. Alzira Rufino já recebeu diversos prêmios, tanto por sua ação política, quanto pelos seus textos e poesias.
Paulina Chiziane

Foca Lisboa / UFMG
Foi militante da Frente de Libertação de Moçambique durante a juventude. Em 1990, deixou sua marca na história como a primeira mulher moçambicana a publicar um romance: “Balada de amor ao vento”. Paulina dá voz a questões sistematicamente silenciadas em seu contexto, entre eles, a condição da mulher em um meio poligâmico, e outros temas de incontestável relevância política e cultural.
(Ana Guerra)

