
Bárbara Peret / Biblioteca Universitária UFMG
Este infinito amor de um ano faz
Que é maior do que o tempo e do que tudo
Este amor que é real, e que, contudo
Eu já não cria que existisse mais.
Este amor que surgiu insuspeitado
E que dentro do drama fez-se em paz
Este amor que é o túmulo onde jaz
Meu corpo para sempre sepultado.
Este amor meu é como um rio; um rio
Noturno, interminável e tardio
A deslizar macio pelo ermo…
E que em seu curso sideral me leva
Iluminado de paixão na treva
Para o espaço sem fim de um mar sem termo.
Vinícius de Moraes possuía gosto pelo soneto – poema de forma fixa, composto por catorze versos – e era capaz de transformar o amor em palavras. Acesse o catálogo on-line no site www.bu.ufmg.br e saiba onde encontrar a obra completa do autor!

