Precisamos entender: não há mais espaços para segregação. E isso não significa ignorar diferenças, significa compreender que, nessas diferenças – de raça, gênero, idade, credo – nos encontramos e nos aperfeiçoamos enquanto sociedade.
Não desvalorizo as lutas ainda necessárias para desconstruir preconceitos, mas apresento um olhar positivo frente às conquistas de espaços na política, educação, cultura, por grupos segregados em nossa sociedade. Visão otimista que a escritora, professora e filósofa Angela Davis também mantém na obra “Angela Davis – mulheres, raça e classe”.
Enquanto ativista, Davis traz um panorama das lutas e dores vivenciadas pelas mulheres negras desde o período da escravidão até o debate, articulado na metade do século 20, a respeito das tarefas domésticas. E no entremeio, a filósofa detalha as cruéis recriminações do período de lutas abolicionistas nos EUA, as tentativas de unificação em prol dos direitos das mulheres e o movimento sufragista.
Ao lermos relatos históricos e preconceitos sofridos por mulheres negras nos Estados Unidos, torna-se difícil não querer falar sobre. Angela Davis é enfática, ao denunciar os erros cometidos no passado contra a população negra, e acolhedora, por traçar um caminho para mudança. Após o exercício de ‘ouvir’ sua obra, surge a necessidade de falar, a fim de manter os fatos abordados por Angela Davis audíveis.
(Mariana Arantes – Programa de Pós-Graduação em Literatura)

