Sempre ouvia o termo “balzaquiana” referindo-se às mulheres de cerca de 30 anos, mas nunca tinha tido o interesse de ler Balzac e entender o significado daquele “adjetivo”. Quando estava perto de completar os tais 30 anos, fiquei curiosa e peguei, em uma biblioteca pública, o livro “A mulher de trinta anos”; uma história realmente envolvente, que me fez querer ler outras obras do autor.
Com um viés psicológico bastante acentuado (o que particularmente me agrada), me espantou naquela obra a riqueza de detalhes e as descrições minuciosas que Balzac faz das cenas, atributo típico do Realismo. Isso foi cansativo de início pra mim, mas aos poucos fui me acostumando e acabei por descobrir a imensa sensibilidade dele em relação aos desejos, alegrias e mazelas femininas.
Júlia, a personagem principal, nascida para ser bela, recatada e do lar, ao longo da trama vai amadurecendo e vive um grande drama, que inclui todas as vivências que o casamento, a maternidade, o adultério e a depressão podem oferecer, retratando como era ser mulher no século XIX. Por meio dessa personagem, Balzac mostra que a beleza da mulher de trinta anos é outra: a da maturidade.
Longe de ser uma crítica literária, sou apenas uma leitora que sempre se atrai pelas emoções e sentimentos despertados pela literatura e vê nela a possibilidade de ampliar o olhar e viver, ainda que na ficção, experiências impossíveis ou improváveis. Recomendo a leitura deste e de outros títulos de Honoré de Balzac.
(Marina Nogueira)

