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Papel das bibliotecas no contexto político é enfatizado na comemoração dos 10 anos da Biblioteca 24h da Face

segunda-feira, 8 de outubro 2018, às 13h52

Carla Pedrosa / Biblioteca Universitária UFMG

Em comemoração aos 10 anos da Biblioteca 24h da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG (Face), na segunda-feira (8) foram realizadas diversas palestras e atividades. Na mesa de abertura do evento, o professor João Antônio de Paula contou, de maneira emocionante, a história da Biblioteca. Lembrou-se de momentos importantes como a criação do cargo de bibliotecário, no dia 30 de novembro de 1948. Nely Paulineri da Fonseca, estudante de Ciências Contábeis, foi o primeiro a exercer essa função. “Não é por acaso que os  primeiros livros de tombo são livros contábeis”, explicou João Antônio.

Ele também enfatizou a riqueza do acervo, sobretudo na década de 50, quando a Face, além dos cursos de economia, ciências contábeis e atuariais, também abrigava os cursos de sociologia e ciências sociais aplicadas. Enfatizou, ainda, a importância de Emílio Guimarães Moura, que dá nome à Biblioteca. Graduado em Direito, Emílio lançou, junto a um grupo de escritores da primeira geração modernista mineira, a publicação “A Revista”, que reunia a produção de escritores como Drummond, Milton Campos, Emílio Moura e Ciro dos Anjos.

Moura participou também da refundação da Faculdade de Ciências Econômicas em 1945 e se tornou o primeiro diretor da nova fase da Instituição. “Emílio Moura trouxe singularidade à Face. Lecionou a disciplina História das Doutrinas Econômicas e adicionou, à área, sua sensibilidade e imaginário de poeta. A poesia, para ele, é esse sentimento que nos faz mais humanos, nos faz ver a beleza das coisas, ter uma esperança renovada de que o mundo vai mudar, vai vencer o medo, vai vencer a morte…”, enfatiza.

João Antônio destacou também as doações recebidas pela Biblioteca, tão importantes para a composição de seu acervo. Entre elas, estão as das professoras Maria do Carmo Carvalho de Souza, professora de economia internacional, Maria Regina Nabuco, Vilmar Faria, Silvio Castro Bandeira de Melo  e Francisco Iglésias, além da doação, feita pelo Arquivo Público Mineiro, da Revista “Jornadas Economistas”, de 1830, uma das mais antigas do mundo junto com a “The Economist”.

João destacou a importância de se manter os livros clássicos e suas várias edições na Biblioteca. “O conhecimento se dá por saltos e recuos.  Não adianta ter a última edição. É necessário ter todas as edições do livro que trazem informações históricas e importantes desse processo”.  Por fim, fez  um agradecimento especial ao professor Clelio Campolina, em cuja gestão foi criada a Biblioteca 24h, e aos bibliotecários que fizeram e fazem parte da história da Biblioteca, destacando o importante papel que têm na classificação e manutenção do conhecimento presente nesse espaço do saber.

Ao final da primeira parte do evento, o professor Clelio Campolina disse que a inspiração para criar a Biblioteca 24h veio  das bibliotecas que ele frequentava na Inglaterra, por meio das quais foi possível concluir sua pesquisa. “Não nasci no contexto dos livros e sim no meio rural, mas me encantei com as bibliotecas porque foi por meio dos livros que conheci o mundo. Foi na minha gestão que idealizamos a Biblioteca 24h, um desejo que eu trazia desde a época em que estudei na Inglaterra, quando dormia na Biblioteca para realizar minhas pesquisas”, contou.

A bibliotecária Kátia Lúcia Pacheco, diretora do Sistema de Bibliotecas da UFMG, também destacou, no evento, a importância do atendimento 24h, sobretudo no contexto das transformações pelas quais as bibliotecas têm passado nos últimos anos, devido à revolução tecnológica. “É cada vez mais evidente que o acesso à informação, sua difusão e livre circulação são essenciais em todos os aspectos da vida humana.  Nesse sentido, é fundamental que as bibliotecas compartilhem seus serviços colaborando com um sistema global de informações. A Biblioteca 24h está contribuindo com essa troca, não só oferecendo acesso à informação, como também permitindo que os sujeitos sejam participantes do desenvolvimento da Biblioteca. Ao atuar proativamente, utilizando os dispositivos tecnológicos e seus recursos, a Biblioteca também amplia a possibilidade de um número maior de usuários reconhecer a relevância do seu papel para a sociedade, como ambiente de esclarecimento de dúvidas e colaboradora na ampliação do conhecimento”.

Bibliotecas, Cultura e Sociedade: 50 anos de reflexões do Maio de 1968 para a transformação social

“O fascismo consititui uma resposta à agravação da crise econômica e social, quando a social-democracia corre o risco de ser esmagada política e socialmente (…) O chefe da operação, o ditador, será adorado como o messias.” (ROBERT ESTIVALS, 2010, p.71-72)

Carla Pedrosa / Biblioteca Universitária UFMG

A história das bibliotecas como locus de transformação a partir da educação e da luta social foi o destaque da palestra do professor Gustavo Saldanha, do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict).   Ao longo da palestra, Gustavo fez um paralelo entre o movimento maio de 68 – que começou com uma série de greves estudantis contra o modelo educacional vigente e culminou em greves e ocupações de fábricas em toda a França – com o momento atual vivenciado no país e em outros locais do mundo.

Maio de 1968,  segundo Touraine, foi mais do que um movimento social, foi uma ação política por meio da cultura, das artes e das formas simbólicas de protesto contra as bandeiras totalitária e de exploração do capital, e a favor da liberdade. Nesse contexto, as bibliotecas, com seus coletivos de bibliotecários, foram, à época, palco revolucionário de luta e local de resistência.

Após 50 anos desse momento histórico, Gustavo destaca que nos deparamos novamente com uma onda de governos totalitários – nos Estados Unidos, em alguns países da Europa e no Brasil – e que, novamente, precisamos recorrer à cultura e ao conhecimento como meios de resistência e luta. “As Bibliotecas, por exemplo, sobretudo nesse momento que antecede o segundo turno das eleições, devem reforçar, por meio de exposições e das redes sociais, o valor e importância da democracia para nossa sociedade e o perigo de perdermos esse direito. Como dizia o movimento de 36: “La lutte continue””.

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