Jornal Binômio, famoso nas décadas de 50/60, é digitalizado pela Divisão de Coleções Especiais da UFMG
“É quase indescritível a alegria em ver um passado tão distante, tão vivo, como vocês viram aqui”, revela o jornalista José Maria Rabelo, fundador do jornal “Binômio”, ao formalizar a doação das 801 edições à Divisão de Coleções Especiais e Obras Raras da UFMG (Dicolesp).

Carla Pedrosa / Biblioteca Universitária UFMG
A iniciativa de preservação começou com a irmã do jornalista, Therezina Rabelo, que teve a preocupação de esconder a coleção na residência dos pais, no sul de Minas, em Campos Gerais, durante os 16 anos que José Maria Rabelo esteve no exílio devido à ditadura militar. Durante a cerimônia de doação simbólica do jornal, Therezinha foi homenageada pelo irmão e por todos os presentes. “Se não fosse esse gesto dela, provavelmente não estaríamos comemorando aqui a digitalização e entrega da coleção na Biblioteca Central da UFMG”, reforçou o jornalista José Maria Rabelo.

Carla Pedrosa / Biblioteca Universitária UFMG
O semanário “Binômio: Sombra e Água Fresca” surgiu como uma provocação ao plano “Binômio: Energia e Transporte”, lançado na década de 50 pelo então governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitscheck. O jornal circulou de 1952 a 1964, nas cidades de Belo Horizonte e Juiz de Fora, como um instrumento de resistência e denúncia aos governos da época, com publicações e manchetes caracterizadas pelo bom humor, pelo deboche e pela contestação. “Quando o “Binômio” surgiu, a imprensa era mais ou menos o que é hoje, um porta-voz do Palácio da Liberdade; hoje porta-voz da Cidade Administrativa. Nós quisemos fazer um jornal que se diferenciasse desse modelo de subserviência, de submissão. Fizemos um jornal pequeno no início, porque nós não tínhamos recurso, e apelamos para o humor, que depende do talento dos que o fazem”, explicou José Maria.
Quatro décadas após o encerramento da publicação, os cadernos foram digitalizados pela Divisão de Coleções Especiais e Obras Raras e estão disponíveis em PDF no catálogo da Biblioteca Universitária da UFMG. O trabalho de digitalização das 801 edições foi feito pela equipe da Dicolesp, que conta com duas bibliotecárias, duas bolsistas (de conservação e restauração e de Biblioteconomia) e uma servidora técnica-administrativa. Assim que o acervo foi doado, em fevereiro de 2013, iniciou-se o processo de higienização e acondicionamento. Posteriormente, foi feita a digitalização dos jornais, organização e catalogação das edições. No momento da digitalização foram gerados dois arquivos: um para preservação, que fica em um servidor externo, e outro para Web.

Carla Pedrosa / Biblioteca Universitária UFMG
Segundo Diná Araújo, coordenadora da Divisão de Coleções Especiais e Obras Raras, há diversos valores envolvidos no processo de preservação e digitalização do acervo. “O primeiro é o institucional. Fazer o tratamento do jornal “Binômio”, digitalizar, catalogar, disponibilizar para o público… Essa é a nossa missão institucional. O setor de obras raras, de coleções especiais existe para preservar essa memória escrita”, enfatiza Diná.

Carla Pedrosa / Biblioteca Universitária UFMG
Além disso, ela destaca a possibilidade do material digitalizado gerar mais conhecimento sobre essas duas décadas perpassadas pela ditadura, corrupção e por questões veladas que foram documentadas no “Binômio”. O jornal também preserva elementos que retratam a vida de Belo Horizonte na época, como os anúncios dos comércios: “Vendemos LP”, “Consertamos geladeiras”, segundo Diná, outro valor importante na preservação e disponibilização desse material.
Links para acessar o jornal digitalizado:
https://catalogobiblioteca.ufmg.br/pergamum/biblioteca/index.php
O usuário deverá digitar “Binômio: sombra e água fresca” para localizar o jornal no catálogo on-line da Biblioteca Universitária.
Primeiro volume disponível em: https://www.bu.ufmg.br/imagem/000005/000005D6.pdf

