“Bibliotecários colaboram para acesso equitativo à informação”, destaca diretoria da Biblioteca Universitária
No Dia do Bibliotecário, 12 de março, Izabel Araújo, diretora da Biblioteca Universiária, fala sobre as contribuições dos bibliotecários da UFMG na construção dos quatro pilares da Universidade: ensino, pesquisa, extensão e inovação

“Os bibliotecários desempenham um papel fundamental na organização e disseminação do conhecimento da nossa UFMG”, aponta Izabel Araújo, diretora da Biblioteca Universitária. Foto: Carla Pedrosa/Biblioteca Universitária UFMG
Em conversa com o setor de comunicação da BU, a diretora do Sistema de Bibliotecas, bibliotecária Izabel Araújo, falou sobre a versatilidade dos papeis desempenhados pelos bibliotecários no contexto de construção do conhecimento na Universidade.
E trechos da entrevista concedida pelo pesquisador inglês Peter Burke, durante Seminário Nacional de Bibliotecas Universitária realizado pela UFMG em 2014, resgatam reflexão sobre o principal papel desses profissionais e das bibliotecas na história do conhecimento.
COMUNICAÇÃO BU – Qual o papel dos bibliotecários da UFMG na construção do ensino, pesquisa, extensão e inovação na Universidade?
IZABEL ARAÚJO – Os bibliotecários desempenham um papel fundamental na organização e disseminação do conhecimento da nossa UFMG. Esses profissionais têm como atribuições a curadoria e o gerenciamento de recursos informacionais, garantindo que a comunidade acadêmica tenha acesso ágil e eficiente aos materiais indispensáveis para a pesquisa, o ensino e a extensão. Além disso, são responsáveis pela organização e preservação do conhecimento científico produzido na Universidade, contribuindo para a gestão de dados e para a adoção de boas práticas de referências, o que favorece a visibilidade e o impacto das produções acadêmicas. A atuação dos bibliotecários também se estende à comunidade externa, por meio de projetos voltados à promoção de atividades de leitura, acesso a materiais educativos e apoio em eventos culturais e de conscientização social, criando oportunidades para o intercâmbio de saberes entre a Universidade e a sociedade. Não podemos deixar de reconhecer também a enorme contribuição dos demais servidores técnico-administrativos das bibliotecas da Universidade.
COMUNICAÇÃO BU – Quais são as várias frentes de trabalho e atuação dos bibliotecários nas 26 bibliotecas da UFMG?
IZABEL ARAÚJO – Os bibliotecários desempenham diversas funções para garantir o acesso à informação de qualidade, organizando, preservando e disponibilizando a produção intelectual da UFMG. Eles gerenciam acervos físicos e digitais, capacitam a comunidade acadêmica – no uso de ferramentas de pesquisa e na gestão de dados -, bem como promovem a visibilidade das publicações científicas, incluindo as revistas da Universidade. Também desenvolvem programas educativos para fomentar a inclusão digital e garantir o acesso ao conhecimento, tanto para a comunidade interna, quanto externa.
COMUNICAÇÃO BU – E diante das novas tecnologias, quais têm sido os novos recursos informacionais oferecidos pelos bibliotecários e como mediam a utilização desses recursos?
IZABEL ARAÚJO – Os bibliotecários da UFMG têm oferecido uma série de recursos informacionais inovadores, como o acesso a bases de dados especializadas, repositórios digitais, ferramentas de gestão de referências e plataformas de pesquisa avançada. Para mediar a utilização desses recursos, eles promovem treinamentos, workshops e orientações personalizadas para discentes, docentes, técnicos-administrativos e pesquisadores, auxiliando-os no uso eficiente das ferramentas. Desenvolvem, ainda, estratégias de alfabetização informacional, capacitando a comunidade acadêmica a buscar, avaliar e utilizar informações de forma crítica, assegurando que as tecnologias sejam plenamente aproveitadas para apoiar ensino, pesquisa, extensão e inovação.
COMUNICAÇÃO BU – Qual mensagem que a diretoria da Biblioteca Universitária gostaria de deixar, neste 12 de março, para os profissionais bibliotecários que colaboram com o Sistema de Bibliotecas?
IZABEL ARAÚJO E WELLINGTON CARVALHO – Manifestamos nossa gratidão e reconhecimento a todos os colegas bibliotecários do Sistema de Bibliotecas da UFMG, destacando a importância do nosso trabalho, realizado com amor e dedicação, para a construção de um futuro mais justo e transformador. Nosso esforço contínuo na organização, preservação e disseminação do conhecimento contribui diretamente para a formação de cidadãos críticos e para o desenvolvimento de soluções inovadoras capazes de transformar realidades no sentido de reduzir assimetrias sociais. Assim, colaboramos para a democratização do acesso ao conhecimento e para a construção de um futuro baseado no saber, na justiça social e no acesso equitativo à informação.
Papel dos bibliotecários na classificação do conhecimento
Durante Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU) realizado em 2014 pelo Sistema de Bibliotecas da UFMG, o inglês Peter Burke, autor de obras seminais da historiografia social do conhecimento – que cobrem da invenção da imprensa, no século 15, até o advento da Wikipédia – falou sobre o papel dos bibliotecários e das bibliotecas na era do conhecimento.
Comunicação BU – Qual é o papel dos bibliotecários na história do conhecimento?
Peter Burke – As bibliotecas e os bibliotecários têm tido muitos papéis na história do conhecimento e, é claro, especialmente o papel prático. Uma importante função intelectual desses profissionais atualmente, e talvez a mais necessária, é a classificação dos livros. Estamos vivendo na era do que eu chamo a explosão do conhecimento. Explosão no sentido de expansão; o que é bom porque nós conhecemos mais coletivamente do que antes, mas também explosão significa fragmentação. Então, nesse contexto, nós precisamos de profissionais da informação que reordenem o “todo” e relacionem um tipo de conhecimento aos outros, classificando-os. E bibliotecários, não sozinhos, mas com outros acadêmicos, têm um papel importante nesse aspecto.
Comunicação BU – Qual é o futuro das bibliotecas e dos livros impressos nesse contexto de fragmentação do conhecimento e crescente inovação tecnológica?
Peter Burke – É sempre difícil prever o futuro. Sou um otimista diferenciado. Eu amo ler livros em papel. Aliás, eu cresci em uma livraria. Lamentaria muito se todos eles desaparecessem. Digo que sou um otimista diferenciado porque acredito na coexistência do livro impresso, até mesmo as revistas e jornais impressos que estão mais ameaçados, com os arquivos digitais. Como um historiador, gosto de fazer comparações e a situação hoje faz lembrar-me do século XV, quando a impressão foi inventada. Os copistas acreditavam que os livros impressos eliminariam os manuscritos e que eles perderiam seu sustento. Isso não aconteceu. Houve uma coexistência entre impresso e manuscrito, que passou a ser utilizado com o propósito da elite de manter determinados conhecimentos restritos, não permitindo que chegassem ao grande público. Então eu acredito que haverá essa coexistência entre o livro impresso, que será melhor para alguns propósitos, e os livros digitais, para outras finalidades. Portanto, o livro ainda não está morto, eu espero…
Comunicação BU – Como as bibliotecas e os bibliotecários podem se beneficiar dos exemplos da história do conhecimento?
Peter Burke – Acredito que alguns poucos bibliotecários têm sido, de fato, criativos, e seria interessante que suas ações fossem copiadas em todo o mundo. Minha biblioteca favorita é a do Warburg Institute, em Londres, cujo primeiro bibliotecário, o austríaco Fritz Saxl, era especialista em História da Arte. Ele acreditava que a biblioteca deveria ser organizada de acordo com a lei da boa vizinhança, ou seja, os livros vizinhos deveriam tratar exatamente o mesmo assunto, instigando os leitores a, além de levar o livro que estavam procurando, pesquisar também nos outros livros “vizinhos” disponíveis na estante. Esse tipo de biblioteca (que favorece a lei da boa vizinhança) deve ser organizada por tópico e não por grandes categorias como “História” ou “Geografia”. Existem tópicos incríveis no mundo das bibliotecas. Eu me lembro de uma que dizia “O retorno do último imperador do mundo”. Há apenas 5 ou 6 estudos sobre isso e estão todos juntos e, dessa forma, o sistema de vizinhança funciona muito bem. Para fazer a classificação das obras nesse sistema, é necessário ter bibliotecários acadêmicos, pois não se pode classificar o livro apenas pelo título, mas pela obra inteira. É fundamental lê-la por inteiro. Somente assim sabe-se exatamente onde colocá-lo na estante. O Warburg Institute teve uma seqüência de bibliotecários acadêmicos – metade do tempo bibliotecário e a outra metade professores nas universidades. Pelo que eu saiba, esse sistema ainda não foi imitado, mas seria maravilhoso se fosse.
Como surgiu o Dia do Bibliotecário
Instituído em 1980 por decreto nacional, o Dia do Bibliotecário é comemorado em 12 de março por ser a data de nascimento de Manuel Bastos Tigre, considerado o primeiro bibliotecário concursado do Brasil.
Após trabalhar décadas na Biblioteca Central da Universidade do país, Bastos Tigre assumiu a direção dessa unidade, exercendo o cargo mesmo depois de aposentado.
O notável bibliotecário foi também poeta e publicitário. A ele é atribuída a criação, em 1922, de um dos slogans mais conhecidos da propaganda brasileira: “Se é Bayer, é bom”.

