Bibliotecária Diná Araújo toma posse no Comitê Nacional do Programa Memória do Mundo
No dia 10 de dezembro de 2015, a bibliotecária Diná Marques Pereira Araújo, coordenadora da Divisão de Coleções Especiais e Obras Raras da UFMG, foi empossada no Comitê Nacional do Programa Memória do Mundo, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. A posse oficial aconteceu na cidade do Rio de Janeiro, no Arquivo Nacional, instituição que abriga o Programa Memória do Mundo da Unesco no país. Wellington Marçal de Carvalho (diretor da BU) e Anália das Graças Gandini Pontelo (vice-diretora) estiveram presentes na cerimônia. “Ter uma bibliotecária da UFMG no Programa Memória do Mundo trará mais visibilidade para nossa instituição e fomentará o compartilhamento de informações no âmbito da preservação, em nível nacional e internacional”, destaca Wellington.
Diná foi nomeada, em outubro deste ano, representante do segmento de associações de ensino e pesquisa no Comitê do Brasil (Memory of the World/MoW-Brasil). Desde então, é responsável pela avaliação dos projetos submetidos ao Comitê, pelos treinamentos e cursos para auxiliar as instituições e pessoas físicas que queiram receber o selo de Memória do Mundo concedido pela Unesco, entre outras atividades.

Novos membros do Comitê Nacional (MoW-Brasil)
Fonte: site do Arquivo Nacional
Iniciativa do Ministério da Cultura em conjunto com a Unesco, o Programa Memória do Mundo foi criado em 1992 com o objetivo de preservar e difundir documentos, arquivos e bibliotecas de grande valor internacional, regional e nacional. A intenção é despertar a consciência coletiva para a importância de se preservar e dar visibilidade ao patrimônio documental e bibliográfico da humanidade, ou seja, à memória do mundo, aos registros da evolução dos descobrimentos, conquistas e do pensamento da sociedade humana.
O MoW-Brasil foi criado no âmbito do Ministério da Cultura em 2004 e o registro nacional foi inaugurado em 2007. Desde então, o trabalho voluntário dos membros é exercido por dois anos, cabendo recondução.
Possíveis “candidatos” da UFMG ao selo da Unesco
A UFMG possui vários acervos que podem se candidatar à obtenção do selo da Unesco. Por exemplo, o Acervo Curt Lange, localizado na Biblioteca Central da Universidade, onde se encontra o arquivo pessoal do musicólogo teuto-uruguaio Francisco Curt Lange. Fruto de sua intensa e variada atividade como pesquisador, o acervo abrange, além de pequenas coleções, um material arquivístico que registra o cotidiano da vida musical produzida nas Américas entre 1928 e 1996. “Integrado em 1995 à UFMG, o Acervo Curt Lange constitui-se em um importante centro de documentação para a pesquisa sobre a música nas Américas. Sua importância histórica não é restrita ao Brasil, ao contrário, ela encontra repercussão na musicologia que se pratica hoje em diversos países do mundo”, afirma a professora Ana Cláudia de Assis, coordenadora do Acervo.

Diná Araújo mostra os manuscritos do século 18 do Acervo Curt Lange Foto: Carla Pedrosa / Biblioteca Universitária UFMG
A Divisão de Coleções Especiais e Obras Raras, também localizada na Biblioteca Central da UFMG, possui acervos que podem ser indicados à candidatura ao selo da Unesco. Wellington Marçal de Carvalho destaca como exemplo um livro datado de 1671 que cita, pela primeira vez, o Brasil no contexto do Vaticano, em um processo de canonização de um jesuíta. A obra foi impressa em Roma, na Itália, em papel composto com fibras de algodão. Ao colocá-la sobre uma mesa de luz – aparelho destinado a facilitar o exame dos negativos radiográficos – é possível visualizar as fibras, as polpas e a filigrana, marca de autenticidade do artesão que fez o papel. A submissão desse livro no Programa Memória do Mundo passaria, então, pela avaliação da importância histórica e também pela análise material.

Livro da Divisão de Coleções Especiais e Obras Raras da UFMG, datado de 1671.
Foto: Carla Pedrosa / Biblioteca Universitária UFMG

Filigrana, marca de autenticidade do artesão que produziu o papel, confere originalidade à obra analisada.
Foto: Carla Pedrosa / Biblioteca Universitária UFMG
As primeiras impressões feitas em Ouro Preto e Mariana, presentes no acervo de Obras Raras da UFMG, também podem ser analisadas para uma possível submissão. Dentre elas, o diretor da BU cita o periódico literário “O Recreador Mineiro”, de 1845. A obra pode ser submetida à candidatura do selo da Unesco devido à sua importância histórica e documental, às especificidades materiais (composição tipográfica extinta, papel exportado de Portugal) e à dificuldade de encontrar a coleção completa desses períodos em bom estado de conservação.

Periódico literário “O Recreador Mineiro” (1845) depois de ser iluminado para análise.
Foto: Carla Pedrosa / Biblioteca Universitária UFMG
Quem pode se candidatar ao selo de Memória do Mundo
Entidades públicas ou privadas, bem como pessoas físicas que detenham patrimônio documental ou bibliográfico de inquestionável valor para a memória documental brasileira, podem se candidatar no Comitê Nacional do Programa Memória do Mundo da Unesco.
De acordo com o edital dos anos anteriores, “a proposição de candidaturas tem por objeto a nominação, no Registro Memória do Mundo do Brasil, de documentos ou conjuntos documentais, de natureza arquivística ou bibliográfica, custodiados em território nacional e de relevância para a memória coletiva da sociedade brasileira”. Os documentos podem ser tanto textuais (manuscritos ou impressos), quanto audiovisuais (registros sonoros, vídeos), iconográficos (fotografia, gravura e desenho) ou cartográficos, em suporte convencional ou digital. Para serem submetidos, devem estar em bom estado de conservação, documentados, catalogados e acessíveis para o público. A relevância dos documentos é avaliada pelo Comitê, tendo como critérios o impacto e o significado dos registros documentais para a história e a cultura brasileiras.
O Edital do Programa Memória do Mundo da Unesco no Brasil será divulgado no site http://mow.arquivonacional.gov.br/editais no primeiro semestre de 2016.

