Sistema de Bibliotecas da UFMG realiza debate sobre acessibilidade
O objetivo é sensibilizar os servidores do Sistema de Bibliotecas da UFMG em um primeiro momento, para, em seguida, abrir o debate a toda comunidade acadêmica
“Você é deficiente, mas não é a deficiência”.
Esse depoimento resume bem uma das reflexões do debate sobre acessibilidade realizado na manhã desta segunda-feira (29) na Biblioteca Central da UFMG: a pessoa com deficiência é como um de nós e, portanto, deve ter as mesmas oportunidades e condições de acesso aos locais e à informação.
O depoimento está presente na pesquisa de mestrado intitulada “Inclusão e acessibilidade nas bibliotecas universitárias: a formação e atuação do bibliotecário”, cujos resultados foram apresentados no debate.
Na dissertação, a bibliotecária Michelle Karina Assunção avaliou, por meio de entrevistas, aspectos como acessibilidade arquitetônica, atitudinal e de comunicação entre bibliotecários e usuários com deficiência no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Minas Gerais (SB/UFMG). Ela chegou à conclusão de que “o usuário com deficiência não recebe as mesmas condições de igualdade, autonomia e acessibilidade nesses espaços e não tem à sua disposição profissionais realizando o serviço de referência com competências suficientes para atendê-lo”.
Michelle pontuou, ainda, maneiras de se efetivar a inclusão nas bibliotecas, tais como: a sensibilização dos bibliotecários, o diálogo com os estudantes deficientes, a eliminação das barreiras arquitetônicas, sinalização em Braille, instalação de piso tátil, de terminais de consulta com programa de voz, entre outras iniciativas.
Relato de experiência de quem já está à frente no caminho da inclusão
O debate também contou com a participação das bibliotecárias Gildete Santos Veloso e Alessandra Gino Lima, que relataram a experiência da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, referência em acessibilidade pelo edital do Ministério da Cultura de 2014.
“A Biblioteca foi contemplada nesse edital em função do setor de Braille, que é muito bem estruturado e existe há mais de 50 anos, mas esse é apenas o início do trabalho. Percebemos que ainda há muito por fazer”, destacaram.
Por meio dessa premiação, a Biblioteca ganhou recursos que possibilitaram investir na aquisição de equipamentos e também em novas iniciativas de inclusão, como o “Cine Braille”, exposições táteis, feira de produtos acessíveis, curso de Libras, treinamento no uso de tecnologias assistivas, entre outras.
“A partir desse prêmio, passamos a trabalhar com mais afinco em torno de três preceitos básicos da acessibilidade: mudança arquitetônica, de comunicação e mudança atitudinal”, contou Gildete.
Ela enfatizou que os servidores com deficiência que trabalham na Biblioteca auxiliam a investigar as limitações a serem superadas e a avaliar a acessibilidade nas exposições e demais iniciativas da instituição.
Projetos do Sistema de Bibliotecas da UFMG para inclusão
Algumas bibliotecas da UFMG já realizaram iniciativas pontuais para possibilitar a acessibilidade. A Biblioteca Central, por exemplo, possui piso tátil e rampa para cadeirantes na entrada do prédio. Também possui lupas e elevadores, por isso, é um dos espaços mais utilizados na UFMG para receber pessoas com deficiência nas provas de vestibular e concurso público. No entanto, ainda há muito por fazer.
Pensando no caminho que ainda tem pela frente para possibilitar a inclusão de maneira plena, o Sistema de Bibliotecas da UFMG criou, em abril deste ano, um grupo de trabalho para se dedicar às questões da acessibilidade nas bibliotecas da Universidade.
“Além do debate, que teve por objetivo iniciar uma sensibilização dos funcionários e servidores (bibliotecários, assistentes e auxiliares), o grupo terá por missão fomentar outras atividades e parcerias em prol da acessibilidade nas unidades de informação da Universidade”, enfatizou Wellington Marçal de Carvalho, diretor do SB/UFMG.
O grupo já conta com uma parceria com o Núcleo de Acessibilidade e Inclusão da UFMG (NAI), criado em fevereiro do ano passado.
“Por meio dessa parceria, em breve entregaremos um diagnóstico da acessibilidade nas bibliotecas da Universidade e, a partir disso, vamos propor iniciativas para tornar esses espaços mais acessíveis a todos”, afirmou Marina Nogueira, integrante do grupo de acessibilidade junto com as bibliotecárias Simone Aparecida dos Santos e Nádia Cristina Oliveira Pires.

