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Novembro negro da UFMG conta com exposições em duas bibliotecas da Universidade

O Centro de Estudos e Biblioteca do Campus Cultural de Tiradentes recebe exposição e roda de conversa sobre literatura da Guiné-Bissau e a Biblioteca da Faculdade de Letras realiza a mostra 'Literatura e a Diáspora Negra'

quarta-feira, 28 de outubro 2026, às 22h05

Biblioteca do Campus Tiradentes expõe obras da produção literária de Guiné-Bissau. Imagens: capas de livros

Dentre as atividades da programação do ‘Novembro Negro UFMG’, duas exposições e uma roda de conversa foram propostas por unidades do Sistema de Bibliotecas sobre a literatura guineense e sobre a diáspora negra.

Do dia 03 a 30 de novembro, o Centro de Estudos e Biblioteca do Campus Cultural Tiradentes recebe a exposição ‘Sol na iardi: a literatura da Guiné-Bissau’, em homenagem ao conjunto de obras que formatam o jovem sistema literário guineense. A ideia de organizar a mostra partiu do plano de trabalho do vice-diretor da Biblioteca Universitária (BU), Wellington Marçal de Carvalho, pesquisador associado ao Centro de Estudos Africanos da Diretoria de Relações Internacionais da UFMG. Também contou com articulação de duas especialistas em literatura da Guiné-Bissau: Maria Nazareth Soares Fonseca, professora emérita da Faculdade de Letras da UFMG, e Lilian Paula Serra e Deus, professora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira, (UNILAB)/ Campus Malês-BA.

“Como as obras da literatura guineense ainda são pouco conhecidas, articular uma exposição de livros que compõem esse sistema literário é uma ação estratégica para conferir centralidade a essa produção, bem como para reconhecer o inestimável contributo que escritoras e escritores, poetisas e poetas da Guiné-Bissau têm dado ao longo de décadas de labor com a palavra”, ressalta Wellington.

Catálogo da Primeira Bienal de Arte e Cultura da Guiné-Bissau também integra a exposição. Imagem: capa do catálogo

A exposição está estruturada em cinco vitrines. A primeira, ‘Precursores’, apresenta antologias e obras que inauguram o sistema literário  da Guiné-Bissau. A segunda, ‘Consolidação’, destaca, entre outras obras, trilogia reunindo os primeiros romances do escritor Abdulai Silá – ‘Eterna Paixão’, ‘A Última Tragédia’ e ‘Mistida’ -, e obras da autora Odete Costa Semedo. A terceira e quarta vitrines, intituladas ‘Contemporâneos’, trazem obras de autores como  Idovil Sila Iramanágio, Abdulai Silá, Kátia Casimiro e Eliseu Banor. E a última – ‘Crítica’ – apresenta um conjunto de obras com reflexões sobre o sistema literário guineense, como o livro ‘A nova literatura da Guiné-Bissau’, escrito pela professora Moema Parente Augel, e a obra ‘Literáfricas’, organizada por Maria Nazareth Soares Fonseca (UFMG/PUC Minas), Assunção de Maria Sousa e Silva (UESPI), Luciana Brandão Leal (UFV), Roberta Maria Ferreira Alves (UFVJM) e Wellington Marçal de Carvalho (UFMG).  Essa vitrine também deixa em evidência o catálogo da Primeira Bienal de Arte e Cultura da Guiné-Bissau, que aconteceu em 2025.

‘Sol na iardi: a literatura da Guiné-Bissau’ conta também com curadoria de Dina Marques, Jardel Nascimento e Magda Medeiros. A mostra está aberta à visitação de segunda a sexta, das 8h30 às 16h.

Roda de conversa
Acontece também no Centro de Estudos e Biblioteca, em Tiradentes, no dia 6 de novembro, uma roda de conversa com a professora Maria Nazareth Soares, com mediação do vice-diretor Wellington Marçal. A roda tem como objetivo abordar aspectos relacionados ao contexto de constituição da literatura na Guiné-Bissau, um país que conquistou a independência há aproximadamente cinco décadas.Também serão apresentadas as ‘mandjuandades’, expressões culturais específicas de alguns grupos de mulheres guineenses. 

Deslocamentos, identidade, racismo e pertencimento
Ainda dentro da programação do novembro negro na UFMG, de 05 a 30 de novembro, a Biblioteca da Faculdade de Letras (Fale) realiza a exposição ‘A literatura e a diáspora negra’, com obras escritas por Paulina Chiziane, Ayi Kwei Armah, Carolina Maria de Jesus, Leda Maria Martins, Conceição Evaristo, Miriam Alves, Tatiana Nascimento, Jamaica Kincaid, George Lamming, Aimé Césaire, Toni Morrison, Maya Angelou, Gaël Faye, Igiaba, Sueli Carneiro, Muniz Sodré e Tarcízio Silva.

“O principal objetivo da mostra é dar visibilidade à produção de autores e autoras negras, valorizando a pluralidade de vozes, perspectivas e formas de representação presentes na literatura. A seleção das obras também foi feita com o intuito de evidenciar a literatura como espaço de construção de memória, afirmação de identidades, expressão de experiências e resistência. E as vitrines foram pensadas de modo a instigar reflexões sobre racismo, pertencimento, ancestralidade e desigualdades sociais”, afirma a bibliotecária Priscila Oliveira da Mata, coordenadora da Biblioteca da Fale.

A exposição está dividida em seis eixos que representam territórios e experiências da diáspora.  O primeiro eixo , ‘À Sombra do Baobá: territórios de origem, memória e criação’, mostra a África como espaço de produção literária e cultural, não apenas como ponto de origem da diáspora. O segundo, ‘Escreviver o Território’, retrata a experiência afro-brasileira e latino-americana em termos de memória, identidade, ancestralidade e resistência.

‘O Pensamento do Arquipélago’ é o terceiro eixo, que aborda a negritude, colonialismo, antilhanidade, língua, mestiçagem e pertencimento no Caribe, mais especificamente em Cuba, Haiti, Porto Rico e Martinica.  O quarto eixo, ‘Luta, Memória e Resistência’, ressalta temas como racismo, segregação, direitos civis, identidade e memória afro-americana nos Estados Unidos.  O quinto, ‘Fronteiras Fluídas e Deslocamentos’,  traz experiências de sujeitos africanos e afro-diaspóricos entre a África e a Europa. E o sexto e último eixo, ‘Decolonialidade e Pensamento Antirracista’, reúne obras e reflexões que oferecem ferramentas para compreender as estruturas históricas, sociais e políticas que atravessam os diferentes territórios apresentados na exposição.

A mostra ‘A literatura e a diáspora negra’ conta com curadoria de Sara Azevedo , Adrieli Sandra Jacinto, Ernandes Rodrigo Norberto e Israel José da Silva. A visitação está aberta a partir do dia 05 de novembro, de segunda a sexta, das 7h30 às 22h.

Exposição ‘Sol na iardi: a literatura da Guiné-Bissau’
03 a 30 de novembro

Centro Cultural e Biblioteca Campus Cultural Tiradentes
Rua Padre Toledo, 158, Centro, Tiradentes
Visitação: segunda a sexta, das 8h30 às 16h

Exposição ‘A literatura e a diáspora negra’
05 a 30 de novembro

Biblioteca da Facudade de Letras
Visitação: segunda a sexta, das 7h30 às 22h

 

 

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