Do cotidiano ao realismo mágico: livros de servidores da Biblioteca de Direito da UFMG trazem novos olhares para o banal
‘Estilhaços’, de Luís Fernando Amâncio, transita entre o conto e a crônica num estilo por ele denominado como ‘cotidianismo’. ‘100’, de Junio, traz microcontos que mesclam realismo mágico e fantasia urbana
O local de trabalho é apenas uma das semelhanças entre os autores Junio Lourenço e Luís Fernando Amâncio. Ambos servidores da Biblioteca da Faculdade de Direito da UFMG, eles também têm em comum o hábito de ler e escrever com regularidade, além de um olhar minucioso e criativo sobre os acontecimentos cotidianos. Esse perfil levou ambos a lançarem, recentemente, livros de contos e crônicas.
Luís publicou ‘Estilhaços’, composto por trinta narrativas curtas que têm como foco as relações cotidianas, como aquelas vividas no trabalho, no trânsito e entre vizinhos. Esse olhar atento ao aparentemente banal levou o autor a batizar o próprio estilo literário de ‘cotidianismo’. “Estamos tão preocupados com o que vai vir a seguir que perdemos a dimensão da experiência que estamos tendo. Se tem algo que eu gosto de explorar nos meus textos é a importância do momento presente”, enfatiza Luís.

O livro ‘Estilhaços’ foi escrito em uma circunstância delicada na vida do autor Luís Amâncio
Os textos de ‘Estilhaços’ foram escritos, em sua maioria, durante um período decisivo na vida do autor: uma cirurgia cardíaca de risco à qual foi submetido em 2022. “Algo que me consolava quando comecei a pensar na morte como uma possibilidade, como algo que poderia estar mais perto do que eu gostaria, era pensar que, seja lá o que acontecesse na cirurgia, ou na minha recuperação, o mundo continuaria bem, as coisas continuariam como estavam, as pessoas continuariam a se desentender, a viver suas vidas. Os textos de ‘Estilhaços’ traduzem, de certa forma, esses momentos”, explica. A obra pode ser adquirida no site da Editora Patuá ou diretamente com o autor pelo e-mail luis.amancio@gmail.com
O livro ‘100’, de Junio Lourenço, também foi escrito em um momento de incerteza: a pandemia. “Foi um processo tenso, desafiador e divertido ao mesmo tempo. Tenso em razão do período em que foi escrito – entre setembro de 2020 e janeiro de 2021 – fase da pandemia na qual não havia vacinas disponíveis. Desafiador por ser meu primeiro livro de microcontos, no qual me propus a escrever cada história com no máximo 100 caracteres, uma por dia, durante 100 dias. E divertido pela expectativa quanto ao modo pelo qual cada história seria vista pelo público leitor”, explica.

‘100’ traz microcontos que podem ser lidos como biscoitos da sorte
Transitando entre o realismo mágico, a fantasia sombria e a fantasia urbana, a obra tem como proposta ser completamente aberta à interpretação dos leitores. “As histórias podem se revelar de forma inusitada de acordo com as vivências do dia a dia de quem lê. Diante dos olhos dos leitores estarão microcontos que podem ressoar como mensagens de biscoitos da sorte, ou mais do que isso”, sugere Junio. Disponível nas plataformas Google Play Livros e Amazon, o livro ‘100’ também pode ser adquirido diretamente com o autor, dando direito ao bônus de mais 100 textos que, associados aos microcontos, aprofundam o viés interpretativo da obra.
Para quem quer se aventurar no mundo da publicação de livros, Junio e Luís reforçam ser fundamental ler e escrever com regularidade, além de pesquisar a estratégia e o meio mais adequado para essa finalidade. “Escrever é só a primeira etapa. A publicação requer estudo e estratégias. É importante conhecer as editoras para as quais irá enviar o seu original. Veja se o perfil das publicações é, ao menos, próximo ao do seu livro. Também é válido observar se aquilo que é oferecido está adequado às suas pretensões com a obra e o projeto literário”, alerta Luís.
E há também a possibilidade de publicar de forma independente, como aponta Junio: “A publicação pode vir de uma resposta positiva de editora após o envio de um original, mas esse não é o único caminho. Sugiro que se busquem outros meios, inclusive o da autopublicação. E caso essa seja a escolha, é preciso procurar por profissionais adequados – revisores, capistas, diagramadores, bibliotecários, entre outros – para a construção do devido apoio durante a jornada”.

