Dica: A aventura do livro: do leitor ao navegador
Disponível: BELAS ARTES; FAE; FAFICH; LETRAS e ECI Localização na estante da ECI: 655.11 C486l. Pm
Referência: CHARTIER, Roger. A aventura do livro: do leitor ao navegador. São Paulo: Ed. Unesp/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 1999. 159p.
Se você acha que os livros, como os conhecemos,irão acabar, ou se pensa que eles nunca acabarão, de todo modo você precisa ler “A aventura do livro: do leitor ao navegador”. Nesse trabalho, Roger Chartier – entrevistado por Jean Lebrun – se debruça sobre esse magnífico artefato humano que é o livro, e nos coloca a questão contemporânea: estamos de fato diante de uma revolução tecnológica nunca vivida pela humanidade? Nosso modo de registrar e de ler está mudando absoluta e definitivamente? O primeiro capítulo “A revolução das revoluções?” apresenta essa questão central.
No capítulo seguinte, “O autor entre a punição e a proteção”, aprendemos como a cultura escrita sempre foi acompanhada por gestos violentos de repressão perceptíveis desde a destruição dos livros nos autos de fé às obras queimadas pelos nazis. Depois passamos ao tema “O texto, entre o autor e o editor”, que apresenta a questão da proteção das obras, dos autores e dos editores, em todas as suas formas. Em seguida, “O leitor, entre limitações e a liberdade” nos surpreende com a constatação de que o texto não pertence ao autor, ao editor ou aos seus comentadores, mas é criado também pelo seu leitor. No quinto capítulo, “A leitura entre a falta e o excesso”, acompanhamos as ameaças à integridade e permanência dos textos, mas também seu desaparecimento em meio à proliferação descontrolada.
Mais adiante, em “A biblioteca entre o reunir e o dispersar” somos confrontados com o desafio de criar mais mecanismos para organizar os inúmeros livros existentes e, por outro lado, saber descartar o que não nos interessa. Por fim, em “O numérico como sonho universal” conclui-se que o desejo ancestral de tudo reunir numa linguagem acessível a todos (tecnicamente possível?) vai de encontro à tendência atual de que as linguagens particulares reforcem suas identidades, trazendo a “tensão fundamental que atravessa o mundo contemporâneo, dilacerado entre a afirmação das particularidades e o desejo do universal” (p.133).
E, se em algum momento o leitor se cansar (acho difícil) dessa pequena e deliciosa leitura, poderá se deleitar com as inúmeras ilustrações do livro: do afresco de Pompéia a fotografias do final do séc. XX, passando por magníficas iluminuras da Idade Média: imagens de leitores e de leituras.
Marília de Abreu Martins de Paiva
Professora da Escola de Ciência da Informação

