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Da tradição à modernidade

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Conheça a história das bibliotecas da Escola de Engenharia e da Faculdade de Ciências Econômicas

Muitas são as áreas que constroem a Engenharia: Civil, Elétrica, Ambiental, Mecânica, Química… Ao todo, onze cursos compõem a Escola de Engenharia da UFMG. E para preservar e difundir esses conhecimentos, foi necessária a criação de um local que conseguisse conter boa parte dessa área do saber. Assim foi fundada, em 1911, a Biblioteca Professor Mário Werneck, em um prédio na clássica Rua da Bahia, juntamente à criação da Escola Livre de Engenharia de Belo Horizonte – que futuramente se uniria à então chamada Universidade de Minas Gerais.

Arquivo

Durante 99 anos, a Biblioteca Mário Werneck, assim como toda a Escola de Engenharia, funcionou no centro de Belo Horizonte. Em 2010, a Escola foi transferida para o campus Pampulha.

As mudanças não foram só estruturais, mas afetaram também a “alma” da Biblioteca Professor Mário Werneck. Segundo André Ricardo de Azevedo, bibliotecário-chefe, a mudança da Escola de Engenharia do centro para o campus e a renovação dos funcionários trouxe um ar de jovialidade e modernização ao local, quebrando o caráter tradicionalista e histórico do prédio antigo.

Se nas bibliotecas de humanas as obras antigas e os teóricos clássicos ganham destaque, nas estantes da Biblioteca da Engenharia há predominância de conteúdo relacionado às novas tecnologias.

Dalila Coelho / Biblioteca Universitária UFMG

André explica que os bibliotecários buscam construir um perfil moderno para a Biblioteca e planejam oferecer aos usuários melhor infraestrutura. “Estamos nos esforçando para implementar novos serviços com qualidade e de forma eficiente, como eles devem ser oferecidos”, afirma. Futuramente, a comunidade acadêmica poderá usufruir do serviço de perguntas e respostas técnicas baseado na literatura da engenharia, que será ofertado via chat, em uma conversa direta com os bibliotecários. “Dessa forma, a Biblioteca continua em busca da formação de profissionais qualificados para atuar no mercado e trazer avanços para a sociedade”, conclui André.

Para fomentar mudanças sociais e econômicas

Assim como a Engenharia, a Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG (Face) é formada por diversas áreas fundamentais para o funcionamento e modernização da sociedade. Tudo começou em 1941, em uma antiga pensão na Rua Guajajaras, onde foi criada a Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas de Minas Gerais, que viria a ser futuramente integrada à UFMG.

O prédio contava apenas com o curso superior de Administração e Finanças, mas o início modesto não refletia os planos dos fundadores da Faculdade, que buscavam fomentar avanços na economia mineira, por meio de seus profissionais. Em 1945, a Faculdade de Economia, Administração e Finanças foi incorporada à de Ciências Econômicas. Foi nessa nova fase da instituição que se inaugurou a Biblioteca Professor Emílio Guimarães Moura, da Face.

Buscando induzir mudanças sociais e econômicas em Minas Gerais com o incentivo à produção de conhecimento, inovação e modernidade, a Faculdade de Ciências Econômicas empenhou-se na construção e aperfeiçoamento da Biblioteca. Inicialmente, o acervo foi construído a partir das doações de alguns professores. Os docentes Ciro Bandeira de Melo, Gina Bandeira de Melo e Francisco Iglésias são alguns dos doadores.

Parte da coleção do professor Francisco Iglésias. Foto: Mônica Vargas / Biblioteca Universitária UFMG

Em 2008, a Faculdade de Ciências Econômicas foi transferida para o campus Pampulha e a Biblioteca Professor Emílio Guimarães Moura incorporou a antiga Biblioteca do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), órgão suplementar da Universidade, adquirindo um acervo composto de aproximadamente 18 mil títulos de livros e monografias, 967 teses e dissertações e 250 títulos de periódicos.

Além disso, a nova Unidade foi projetada para o atendimento 24 horas. Esse projeto foi idealizado pelo professor Clélio Campolina, durante sua gestão como diretor da Face, de 1998 a 2006, visando atender a uma demanda da comunidade universitária. “A ideia era que houvesse um espaço para receber pessoas que estivessem fazendo pesquisas e inclusive gente de fora da própria Universidade, que não tem tempo pra frequentá-la durante o período do dia”, explica João Antônio de Paula, professor da Face.

A Biblioteca da Face funciona 24 horas inclusive aos sábados, domingos e feriados, exceto sexta-feira da paixão, natal e ano novo. Foto: Mônica Vargas / Biblioteca Universitária UFMG

Atualmente, a Biblioteca conta com 80 mil exemplares, entre livros, teses, dissertações e mais de 700 títulos de periódicos nacionais e estrangeiros. Esse acervo visa fomentar a produção de conhecimento e a formação de profissionais inovadores.

Quem são os homenageados?

As bibliotecas da Engenharia e da Face foram nomeadas em homenagem a intelectuais da UFMG que fizeram parte da história dessas instituições. Conheça a trajetória de cada um.

Mário Werneck

Dayane Gomes / Biblioteca Universitária UFMG

Mário Werneck de Alencar Lima é um personagem importante para a história da Engenharia em Minas Gerais. Nasceu em 1904 e se formou na Escola Livre de Engenharia de Belo Horizonte em 1925. Apesar de ter nascido em São Paulo, foi na capital mineira que o docente e engenheiro construiu seu legado. Werneck foi professor catedrático da UFMG na área de física experimental e publicou diversos livros sobre esse tema. Atuou também como diretor da Escola de Engenharia por diversos mandatos, entre 1944 e 1964, e por isso foi homenageado pela Biblioteca dessa Unidade. Além da importante atuação de Mário Werneck na UFMG, o engenheiro foi secretário de obras da Prefeitura de Belo Horizonte, presidente da Sociedade Mineira de Engenheiros e fundador da Revista Mineira de Engenharia. Por essa intensa atuação na capital de Minas, recebeu o título de cidadão honorário de Belo Horizonte.

Emílio Guimarães Moura

Dayane Gomes / Biblioteca Universitária UFMG

Amigo de intelectuais como Carlos Drummond de Andrade, Milton Campos e Cyro dos Anjos, Emílio Moura foi um poeta modernista de grande importância no movimento que revolucionou a literatura brasileira. Em 1970, recebeu o Prêmio de Poesia do Instituto Nacional do Livro, com a obra “Itinerário Poético”. Apesar de seus amigos e colegas terem se mudado para o Rio de Janeiro, Moura continuou em Belo Horizonte, onde participou da refundação da Faculdade de Ciências Econômicas, em 1945, e se tornou o primeiro diretor da nova fase da instituição. Pelo importante papel que desempenhou na Unidade, Emílio Moura foi a inspiração para nomear a Biblioteca da Face.

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