BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS E O ACESSO PÚBLICO À INFORMAÇÃO: ARTICULANDO LEIS, TECNOLOGIAS, PRÁTICAS E GESTÃO


Discurso de encerramento do XVIII SNBU – 21/11/2014

Wellington Marçal de Carvalho

recorte WellIlma. Vice-Diretora da Biblioteca Universitária – SB/UFMG, Bibliotecária Anália das Graças Gandini Pontelo, Ilma. Presidente da Comissão Brasileira de Bibliotecas Universitárias, Bibliotecária e nossa madrinha Viviane Castanho; Ilma. Coordenadora da Comissão Científica do XVIII SNBU, Professora Maria Aparecida Moura, Ilma. Coordenadora da Comissão Executiva Bibliotecária Caroline Serapião Ferreira, Ilma. Coordenadora da Comissão de Imprensa Jornalista Carla Gomes Pedrosa. Ilmo. Diretor da Escola de Ciência da Informação, Prof. Carlos Alberto Ávila Araújo; demais autoridades, familiares, convidados e colegas de trabalho, diretores e chefes de bibliotecas, bibliotecários, estudantes, assistentes e auxiliares em biblioteca e congressistas, bom dia!

“Sou viramundo virado / Nas rondas das maravilhas / Cortando a faca e facão / Os desatinos da vida / Gritando para assustar / A coragem da inimiga [...] / Sou viramundo virado / Pelo mundo do sertão / Mas ainda viro este mundo / Em festa, trabalho e pão.“

Devo dizer que serei breve. A fatura é positiva. Positiva no mais verde grau! O XVIII SNBU ilustra a experiência estética na vida cotidiana. Para me fazer mais claro, recorro à proposição do professor de Teoria da Literatura da Universidade de Stanford, Hans Ulrich Gumbrecht, em seu texto “Pequenas crises: experiência estética nos mundos cotidianos”, de 2006. O caráter repentino e irresistível com que surgem proporciona o desvelamento do ser, equivalente a um acontecimento de verdade, detonando uma pequena crise que, ao fim, nutrirá o que Gumbrecht denominará, baseando-se em Heidegger, de “experiência estética na vida cotidiana”. Esse conceito descreve, na proposição do teórico, o conteúdo, os objetos, as condições e os efeitos da experiência estética. A experiência estética será sempre uma exceção, na medida em que se opõe ao fluxo das nossas experiências cotidianas e, por conseguinte, esses momentos se assemelham a pequenas crises.

De outra forma como entenderíamos, ilustres congressistas e convidados, a larga franja de pequenas crises que em nós, Comissão Organizadora e, por extensão, imagino e pude perceber, em todo o Minascentro, seria desencadeada ao vermos tomado, repleto, um Auditório Topázio com capacidade de acolhimento de 1.700 pessoas? A presença do reitorado e parte de seu alto escalão e, como se já não fosse o suficiente, a participação do senhor Ministro do MCTI? O que eu poderia dizer sobre a multidão presente nas sessões de apresentação de trabalho, na modalidade “pôster”? Por que, quanto às apresentações orais, muitos de vocês, eu mesmo vi, formavam filas à porta de vários dos auditórios. Era o inominável. Não falarei do Baile. É despiciendo!

Conferencistas e palestrantes aplaudidos de pé? Como muito recentemente me dissera meu avô, Antônio Higino de Carvalho: “Pois é, Wellington. Pois é…”
O que vi, e senti, e vivi, aqui, com todos vocês, nessa rua da vida feliz, como diria a escritora mineira de Divinópolis, Adélia Prado, é o vitral performador de uma “formação de mentalidades”, como já conversáramos no domingo à noite.

Mas… um momento! Guima disse que o grande movimento é a volta. Voltemos ao ano de 2012, em Gramado, no 17º SNBU.

De alguma forma, a UFMG, o Sistema de Bibliotecas da nossa mineira Universidade teve um sonho. E esse sonho foi capitaneado pela então diretoria do Sistema, as bibliotecárias Maria Elizabeth de Oliveira da Costa e Belkiz Inês Rezende. Elas plantaram essa semente. E tenho dito! Anália e eu, em nome do SB/UFMG, agradecemos a vocês duas por terem vislumbrado a possibilidade de “fugirmos das formas estáticas, cediças, inertes, esteriotipadas, lugares comuns”. Hoje, 21 de novembro de 2014, exatamente com 01 ano enquanto gestores deste Sistema de Bibliotecas da UFMG, Anália e eu tudo fizemos para que a semente vingasse e desse bons frutos. Se a edilidade optar por ovacionar a UFMG, ou, ainda melhor, a comunidade biblioteconômica, felizes e de consciência mais serena e tranquila estaremos, Anália e eu!

Wellington e AnaliaQuando de nossa solenidade de posse para esta Diretoria, registramos que todos os nossos atos seriam construções essencialmente coletivas. Na verdade, a nos vigiar, uma instalação artística do anglo-africano Yinka Shonibare, denominada “Scramble for Africa” anunciava, aos quatro cantos, a intermitência de ações tomadas à talante da Equipe do Sistema de Bibliotecas. Fomos então compondo as comissões, com pessoal da casa e, também, com as instituições da nossa classe. Nos ajudaram tanto Vicentini, Viviane, Lorete, Paula Mello, Regina Celi. Nossos dedicados pareceristas. Nossa família que compreendeu nossa ausência e nossos surtos incontáveis de chatice. A FUNDEP/UFMG, na pessoa da Ana Paula.

Bom, antes de mais, tudo o que poderia ser de outro jeito e não o foi, Anália e eu assumimos. Como diria o escritor angolano Boaventura Cardoso: “Que um homem nas horas aziagas tinha de ser a constante árvore vertical. Sentado ou de pé, o sapo ainda deixa de ser sapo?”

E tudo foi mais tranqüilo, quando agregamos à nossa equipe a Consult Eventos: Silmara, Clóvis, Adam: para os definir recorro ao escritor angolano Luandino Vieira e sua metáfora do cajueiro: quando tudo estava quase perdido, sempre encontravam uma solução. Quando minhas raízes e galhos estavam prestes a definhar, rebrotavam, tomavam novo rumo e nova vida. E, assim, o SNBU crescia.

E, então, firmar as parcerias para a Feira de Expositores foi mais tranqüilo. Agradecemos: Patrocínio Ouro: Dot.Lib; Jove e Ministério da Saúde. Patrocinadores Prata: Cengage; Ebsco; Elsevier; ITMS Groups. Patrocinadores Bronze: Bibliotheca; Rosetta Stone e Thomson Reuters.

Parceria acertada fizemos com o Ibict, a Cambridge, Casalini, De Gruyter, Grupo Enciclo, Emerald, Grupo GEN, Lexis Nexis, Nature, Oxford, PCG Plus, Periodicals, Proquest, Springer, Taylor and Francis, Wiley, Biccateca, Eficaz, Netscam, Scan System, RFID, Office Tronic, Ex Libris, Modo Novo, Pergamum, Prima Informática, Minha Biblioteca e Livros de Biblio.

Tudo se concretizava porque tivemos o apoio da BVS, da CAPES, CBBU, FEBAB, da Escola da Ciência da Informação (UFMG), PROEX/UFMG, da Diretoria de Ação Cultural UFMG, da Administração Central da UFMG, do Sistema SFB/CRB6 – 16ª Gestão e do Sindifes [pela primeira vez pautamos o assédio moral em bibliotecas universitárias].

Um posicionamento político ousado de nossa parte materializou-se na presença de alguns expositores para os quais cedemos, sem custos [embora precisássemos de cerca de 1 milhão e 800 mil reais para honrar os compromissos assumidos neste Seminário], sobretudo porque abrilhantariam ainda mais o nosso cadinho de “formação de mentalidades”: CBBU/FEBAB, Editora UFMG, Fiocruz, Sistema CFB/CRB e nossos artesãos da feira de artigos mineiros.

Todos somos cordialmente gratos com a generosa presteza “gasalhado e emparo” [olha o Guima!] do pessoal da limpeza, da cozinha [tudo muito delícia, nenhum alimento era remoso], da segurança, da secretaria, do guarda-volumes, do midia-desk, do apoio de salas, dos restaurantes que nos receberam, do atendimento médico e toda a equipe operacional. Agradecemos ao Reginaldo, nosso intérprete de Libras.

E por oportuno, reforço: na quinta-feira foi eleita a nova composição da CBBU.

O correr do evento embrulha tudo: esquenta, esfria, o que o SNBU quer da gente é coragem! É um trem sem explicação. Uma pequena crise. A experiência estética na vida cotidiana!

Nessa linha, com muita alegria anuncio a disponibilização no site, do link com os “Anais do XVIII SNBU”, para compor nossa coleção [agradeço a Equipe da biblioteca Digital, liderada pela Eliane]. Havendo lapidações a fazer, por favor, nos comuniquem. Com alegria ainda maior compartilho o nascimento do v.1, Edição especial 2014, da “Revista Bibliotecas Universitárias: pesquisas, experiências e perspectivas”, editada pelo SB/UFMG e que aborda as tendências e questões que afetam as Bibliotecas Universitárias na atualidade. Destacam-se as reflexões sobre os desafios enfrentados pelos profissionais da informação, em face da ampliação e diversificação da cultura informacional acadêmica conectada em rede. Totalmente construída no contexto deste SNBU, esse Número Especial tem como texto inaugural uma entrevista com o professor Peter Burke.

Estarrecedor, não?! Cumpriu-se o vaticínio rosiano: o mineiro, quando chega a hora, avança, toma tento, peleja e faz!

Tenho que concluir. Disse que seria breve e, de fato serei! Algo ficará sempre, e, imperdoavelmente por dizer. Corre-se o risco, não?!

O que não posso é deixar de dar a todos nós uma tarefa: convido, convoco, intimo à todos para o seguinte: O CRB-6, tem divulgado no Boletim Eletrônico relatos de escolas mineiras e capixabas que se destacam pelas suas bibliotecas. Essa é mais uma forma de promover a valorização dos bibliotecários e bibliotecas escolares, bem como as instituições educacionais que nelas investem. Para que esta seja também uma realidade nas escolas estaduais de Minas Gerais, ajude-nos votando para aprovação do Projeto de Lei nº 5591/2014, no site da Assembléia Legislativa de Minas Gerais.

Antes de concluir, porém, mais um exemplo da experiência estética na vida cotidiana: Anália e eu, graças à Deus, temos agora um tanto de afilhados da graduação em Biblioteconomia da ECI/UFMG. A vocês, o nosso afetuoso respeito.

Assim, nobres presentes; retorno a Guima, no conto “Páramo”, publicado em “Estas estórias” para a síntese de tudo: “Todo verdadeiro grande passo adiante, no crescimento do espírito, exige o baque interno do ser, o apalpar imenso de perigos, um falecer no meio de trevas; a passagem. Todavia, ao remate da prova, segue-se a maior alegria!”

Em meu nome e em nome da Anália, muito obrigado! Deus vos abençoe a todos!!!